SOBRE…
DOZE MESES DOZE CAMINHADAS
O Município de Castanheira de Pera e a Prazilândia, Turismo e Ambiente E.M., renovam o convite para explorar Castanheira de Pera com a edição de 2026 do programa “Doze meses, doze caminhadas”. Mais do que um calendário de atividades físicas, apresentamos um roteiro de emoções desenhado para quem procura a simbiose perfeita entre natureza, história e cultura.
Neste novo ano, o desafio é ir mais longe. Desde os horizontes abertos do planalto do Alto das Fontes aos “segredos” industriais das fábricas de lanifícios. Da ancestralidade dos Neveiros à biodiversidade vibrante da Brama dos veados. Cada caminhada foi meticulosamente planeada para ser uma porta de entrada no coração e na alma de Castanheira de Pera, oferecendo uma pausa necessária na rotina e um reencontro com o que é essencial. Viver e Sentir.
Seja pela contemplação de paisagens pitorescas, pela valorização dos nossos produtos endógenos ou pela simples alegria do convívio ao ar livre, este programa é um compromisso com a sustentabilidade e o bem-estar. Prepare as botas e o espírito de aventura. Em 2026, Castanheira de Pera, mais que um lugar que vês, é um lugar que sentes.
AGENDA’26
01.02 – Rota do Alto das Fontes
Damos o pontapé de saída do programa “Doze meses, doze caminhadas” de 2026 explorando a vertente nascente do Concelho de Castanheira de Pera. A Rota do Alto das Fontes convida os participantes a iniciar o ano em comunhão com a natureza, percorrendo trilhos que unem as pitorescas aldeias das Gestosas e das Fontes, com passagem pelo lugar de Porto Videira. É uma oportunidade para sentir o pulsar da vida serrana logo no coração do inverno.
O grande ex-libris desta jornada reside na sua geografia singular. Esta será a única caminhada de todo o calendário a percorrer o vasto planalto do Alto das Fontes. Ao atingir esta zona elevada, os participantes serão presenteados com horizontes abertos e uma perspetiva diferente sobre o território, num percurso que privilegia a tranquilidade e o ar puro da altitude.
Entre a descoberta do património edificado das aldeias e a grandiosidade natural deste planalto, esta rota promete ser o aquecimento perfeito para uma odisseia de caminhadas. Uma manhã para revitalizar energias e apreciar a paisagem desta zona mais desconhecida do concelho.
15.02 – Rota do Cancelinho
Em fevereiro, o nosso destino é a histórica aldeia de Pera, porventura um dos berços mais antigos de Castanheira de Pera. A Rota do Cancelinho convida a uma imersão numa trilogia épica, gloriosa e apaixonante, onde a lenda e a realidade se fundem. Desde o imaginário encantado da Princesa Peralta até ao batismo da ribeira… de Pera, que se assume como a espinha dorsal de Castanheira de Pera, cada passo será uma descoberta das raízes profundas desta terra.
A caminhada é também uma homenagem à coragem e resiliência das gentes locais. Recordaremos os distintos filhos da terra que, em tempos idos, reclamaram a justiça do Rei D. Afonso V para resolver diferendos sobre a utilização dos baldios. Esta herança cultural, tanto material como imaterial, serve de fio condutor para uma viagem que celebra a identidade e a força de uma comunidade secular.
Para completar este cenário perfeito, a majestosidade do património natural acompanha-nos a cada instante. Percorrendo as margens da Ribeira de Pera, caminharemos ladeados pelo sussurro das águas nas levadas, pela memória dos antigos moinhos e pelo verde das parcelas agrícolas. Uma jornada memorável onde a história se reflete nas águas e a natureza abraça a tradição.
15.03 – Rota da Urze
Em março, a vertente sul da Serra da Lousã veste-se de gala para receber a primavera. Com início na pitoresca aldeia do Vilar, a Rota da Urze proporciona uma experiência de imersão total na natureza, guiando os participantes por um percurso de cerca de 8km onde a paisagem se transforma. Nesta época do ano, a serra ganha nova vida, pintada pelos tons vibrantes da urze em plena floração, criando um cenário deslumbrante que convida à contemplação e à fotografia.
Mas esta caminhada vai muito além da beleza visual. É uma oportunidade de aprendizagem sobre os recursos endógenos do território. Ao longo do trilho, iremos explorar as potencialidades desta planta, essencial para a produção do característico mel de urze, um verdadeiro tesouro da região. Entre passos e conversas, reforçaremos também a consciência sobre a preservação ambiental e a riqueza da fauna e flora locais, valores fundamentais para garantir que estas paisagens perdurem para as gerações vindouras.
26.04 – Rota da Gastronomia em Movimento
O mês de abril convida a despertar os sentidos, e nada melhor do que aliar o “exercício físico” aos sabores da nossa terra. A Rota da Gastronomia em Movimento tem o seu ponto de encontro e despedida no coração da festa, na Praça da Notabilidade, palco da feira homónima que celebra as nossas tradições culinárias. Esta é uma caminhada desenhada para ser o complemento perfeito ao evento, unindo o lazer à cultura.
Desta vez, o percurso foca-se no charme da Vila de Castanheira de Pera. Sendo uma rota circular, iremos explorar o tecido urbano com um olhar atento, percorrendo ruas e quelhas para desvendar os recantos mais históricos e detalhes arquitetónicos que, muitas vezes, passam despercebidos na azafama do dia a dia. É uma oportunidade para conhecer a vila “por dentro” e revisitar a sua memória.
Ao terminarmos novamente junto à Feira, o convite é irresistível. Depois de uma manhã de descoberta cultural e atividade saudável, os participantes poderão recuperar energias e conviver, aproveitando o melhor que a gastronomia local tem para oferecer. Um programa completo para desfrutar em família ou com amigos.
10.05 – Conhecer as Juntas
Em maio, propomos uma verdadeira expedição ao desconhecido com a caminhada “Conhecer as Juntas”. O destino é um lugarejo perdido na imensidão da Serra do Ameal, um local que o tempo parece ter guardado em segredo e onde já não habita ninguém. Esta jornada é um convite ao silêncio e ao isolamento, levando-nos para longe da civilização e embrenhando-nos numa natureza em estado puro.
O percurso até às Juntas é mais do que um trilho físico, é uma viagem à memória de um território agreste e solitário. Sem a presença humana permanente, este lugar devolve-nos uma sensação de descoberta e respeito pela serra, oferecendo aos participantes a oportunidade rara de pisar caminhos onde, hoje em dia, apenas a fauna e a flora reinam absolutas.
14.06 – Celebrar o Santo António da Neve
Em junho, a nossa caminhada assume um caráter festivo e profundamente histórico, coincidindo com os festejos religiosos em honra de Santo António de Lisboa. O destino é o emblemático Cabeço do Pereiro, local onde se ergue a Capela de Santo António da Neve, mandada construir em 1786 por Julião Pereira de Castro, Neveiro-mor da Casa Real. Esta ermida nasceu de uma necessidade logística e espiritual, garantir que os muitos homens que ali trabalhavam na expedição da neve, ocupando domingos e dias santos, pudessem ouvir missa sem o “incómodo considerável” de descer ao Coentral, evitando assim o “gravíssimo prejuízo para as suas almas”.
Ao lado da fé, encontramos o engenho. Visitaremos os históricos Poços da Neve, anteriores à própria capela e classificados como imóveis de interesse público. Estas impressionantes estruturas de pedra negra e abóbada em sino, desenhadas com portas viradas a nascente para fugir ao sol forte, serviam de gigantescos “frigoríficos” naturais. Aqui, os homens desciam a profundidades superiores a dez metros, calcando a neve com pesados maços de madeira e isolando-a com palha e fetos, num trabalho árduo que desafiava a dureza da serra.
Esta rota é, finalmente, uma viagem pela “estrada do gelo”. Recordaremos a odisseia dos blocos de neve que, no verão, partiam daqui em ronceiros carros de bois, passando pela zona de Miranda do Corvo e embarcando em Constância rumo a Lisboa. Era este gelo, transportado com tanto sacrifício, que permitia os famosos sorvetes da Corte no Terreiro do Paço ou do Martinho da Arcada. Participar nesta caminhada é honrar essa memória, celebrando a tradição num dia em que a serra volta a encher-se de vida e devoção.
Sabe mais em: https://www.rotadoneveiro.pt/
11.07 – A Lã e o Laínte
Em julho, o programa convida a uma viagem no tempo que cruza trilhos rurais com a memória viva da nossa indústria. Com início na tranquilidade da aldeia do Carregal Fundeiro, a caminhada “A Lã e o Laínte” traça um percurso rumo às Sarzedas, seguindo as pisadas de uma história que moldou a identidade de Castanheira de Pera. O nome da rota não é acaso, evoca a matéria-prima que deu fama à terra e a linguagem secreta. O Laínte da Casconha, foi criado pelos antigos vendedores ambulantes para protegerem os segredos do seu negócio nas feiras por esse país fora.
O ponto alto desta jornada será a chegada à Fábrica Albano Morgado S.A., um ex-libris do Turismo Industrial na região. Ali, as portas abrem-se para revelar a magia da transformação da lã. Os participantes terão a oportunidade única de acompanhar o ciclo completo de produção, desde a fibra em bruto até ao tecido acabado, testemunhando como o saber-fazer centenário se aliou à inovação tecnológica.
Esta não é apenas uma caminhada, é uma imersão na alma empreendedora de Castanheira. Do silêncio da paisagem no Carregal Fundeiro ao bater rítmico dos teares nas Sarzedas, vamos celebrar a herança dos que, com o seu “falar” próprio e trabalho árduo, levaram o nome desta terra à sua emancipação há 112 anos.
02.08 – Caminhada Aquática
Em pleno pico do verão, quando o calor aperta, trazemos de volta um dos momentos mais aguardados e divertidos do calendário, a Caminhada Aquática. Já considerada um verdadeiro clássico do nosso programa, esta atividade convida a trocar as botas de montanha por calçado leve e a mergulhar, literalmente, na beleza refrescante da Ribeira de Pera. É a “receita” perfeita para combater as temperaturas altas de agosto com boa disposição.
O percurso, com cerca de 1,5 km, desenrola-se integralmente pelo leito da ribeira, proporcionando uma aventura acessível, mas revigorante. Ao caminhar “dentro de água”, os participantes ganham uma perspetiva totalmente nova do corredor verde que atravessa o concelho, observando a biodiversidade de um ângulo privilegiado. Entre a corrente fresca e a sombra da vegetação ripícola, espera-nos uma manhã de pura descontração e contacto direto com a natureza.
19.09 e 20.09 – Brama ao Entardecer / Brama ao Amanhecer
Setembro traz à vertente sul da Serra da Lousã um dos espetáculos mais impressionantes da vida selvagem, a Brama dos Veados. Neste fim de semana especial, dedicamo-nos a escutar e observar o ritual de acasalamento que marca a transição do verão para o outono. O bramido potente dos machos, ecoando pelos vales para marcar território e atrair as fêmeas, cria uma atmosfera vibrante e quase primitiva que fascina quem tem o privilégio de assistir.
O programa divide-se em dois momentos distintos para maximizar a experiência. No dia 19, a “Brama ao Entardecer” convida a acompanhar o mistério do crepúsculo, quando a serra acalma e os sons se intensificam. Já no dia 20, a “Brama ao Amanhecer” desafia os madrugadores a testemunhar o despertar da floresta e dos seus habitantes com os primeiros raios de sol.
Mais do que uma caminhada, esta é uma atividade de contemplação e respeito absoluto pelo habitat natural. Para garantir o sucesso da observação sem perturbar os animais, recomenda-se vestuário de cores neutras e a ausência de perfumes. É uma oportunidade rara de conexão profunda com a biodiversidade local, guiada pela sensibilidade de quem conhece e protege a serra.
25.10 – Rota do Mel e da Castanha
Outubro veste a vertente sul da Serra da Lousã de tons quentes e dourados, criando o cenário idílico para a Rota do Mel e da Castanha. Realizada no domingo, em plena sintonia com a tradicional Feira de Rua do Coentral, esta caminhada interpretativa convida a mergulhar nas raízes gastronómicas e culturais da região. O percurso serpenteia por entre soutos centenários, permitindo compreender in loco a importância vital da castanha, outrora o “pão” destas paragens, e a arte da apicultura que origina o afamado mel da Serra da Lousã.
Mais do que observar a natureza, esta rota é uma viagem à alma do Coentral. Esta aldeia histórica, cujas gentes moldaram o seu caráter na dureza e no isolamento da serra, fossem como neveiros ou agricultores, preserva uma identidade única de resiliência. Ao caminhar por estes carreiros e levadas, homenageamos a memória de uma comunidade que soube transformar os recursos da terra em sustento. A jornada termina, inevitavelmente, no coração da festa, na Feira, onde os sabores autênticos e o convívio encerram o dia com chave de ouro.
08.11 – Trilho do Neveiro
No dia 8 de novembro, a histórica aldeia de Pera volta a ser o epicentro da aventura com a 5.ª edição do Trilho do Neveiro. Neste dia especial, os participantes da nossa caminhada juntam-se a centenas de atletas de trail running para celebrar a superação e o contacto com a natureza na vertente sul da Serra da Lousã. É uma oportunidade para viver, por dentro, a atmosfera vibrante de uma das provas mais emblemáticas do centro de Portugal.
Integrada neste grande evento, a caminhada propõe um percurso de cerca de 10 km, desenhado para quem quer “Conquistar esta História” ao seu próprio ritmo, sem a pressão do cronómetro das provas de 32k e 19k. O trajeto é uma homenagem viva aos lendários neveiros do Coentral, permitindo aos caminhantes pisar os trilhos onde, outrora, a história se fez com esforço e gelo. Com a organização da Prazilândia e o apoio das forças vivas do concelho, a segurança e o espírito de festa estão garantidos para uma manhã inesquecível.
01.12 – Rota Micológica
Encerramos o programa de 2026 no dia 1 de dezembro, explorando a riqueza biológica da vertente Sul da Serra da Lousã. Este ecossistema privilegiado, marcado pela humidade característica e pela densidade das suas matas, transforma-se nesta altura no berço perfeito para uma enorme variedade de cogumelos silvestres. A Rota Micológica convida os participantes a abrandar o passo e a olhar com atenção para o chão da floresta, partindo à descoberta destas formas de vida fascinantes que, muitas vezes, passam despercebidas.
A caminhada assume uma forte componente pedagógica, indo além da simples recolha. Vamos aprender que, mais do que um elemento gastronómico, estes organismos são os incansáveis “recicladores” da natureza, desempenhando um papel fundamental na saúde dos solos e no equilíbrio ambiental. Compreender os cogumelos é compreender o ciclo da vida na serra.
E porque a cultura serrana também se faz à mesa, a jornada não estaria completa sem evocar a boa gastronomia. Celebrar a época micológica é também valorizar os sabores ricos e terrosos que a floresta nos oferece. Esta é a despedida ideal para o nosso calendário: uma atividade que nutre o conhecimento e aguça o apetite, fechando o ciclo de “Doze meses, doze caminhadas” em plena comunhão com a terra.
Castanheira de Pera, “mais que um lugar que vês, é um lugar que sentes!”